Para o italiano Prêmio Nobel de Física em 1984, Carlo Rubbia, a riqueza em alternativas renováveis faz com que o Brasil tenha posição única no mundo em relação à produção de energias.
Ele disse nesta segunda-feira (15), em palestra na Fiesp, que o País deverá ser um grande produtor e vendedor deste insumo para o mundo no futuro.
"O Brasil não é um caso típico. Enquanto a Europa tem muitas dificuldades para produzir energia, o Brasil poderá escolher os tipos de energia que vai querer produzir", afirmou Rubbia.
No entanto, ele ressaltou que a decisão do Brasil se tornará uma diretriz, um exemplo para o resto do mundo. "E a energia solar não será um problema prático ou político. Ela terá uma função necessária no futuro", sugeriu.
Defensor do uso das energias solar e nuclear, o físico lembrou que muitos países já fazem captação de energia solar, como a Espanha. Nos Estados Unidos, o estado da Califórnia também está desenvolvendo esta tecnologia.
Questionado pela plateia sobre a dificuldade de o Brasil produzir energia longe dos grandes centros consumidores, Rubbia defendeu sua viabilidade.
"A indústria brasileira fabrica imensos aviões e pode resolver esta questão. Assim, vocês vão ajudar a resolver o problema de energia de vocês e do mundo, e ainda vão poder vender sem cobrar caro", argumentou.
Ilustre
Em missão para a Organização das Nações Unidas (ONU) na América Latina e Caribe, Carlo Rubbia liderou um grupo responsável pela descoberta das partículas W e Z da matéria, ganhando o Prêmio Nobel de Física em 1984.
Rubbia defende que não basta apenas reduzir as agressões ao meio ambiente, mas também desenvolver um modelo energético novo, com fontes de energia abundantes e baratas, como a solar e a nuclear.
Atualmente, é assessor de alto nível da Comissão Econômica das Nações Unidas para América Latina (Cepal). Ele estuda questões de desenvolvimento da região e analisa o desenho das perspectivas energéticas da América Latina e do Caribe.
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