Stolthaven vai aumentar a tancagem em 50%
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A operadora Stolthaven, especializada em granéis líquidos, aumentará em 50% sua capacidade de tancagem no Porto de Santos nos próximos cinco anos. A aposta da empresa é que acontecerá uma retomada das exportações do etanol brasileiro – atualmente em ritmo baixo, devido à quebra da safra da cana na região Centro-Oeste, no ano passado, e à disputa de matéria-prima com um aquecido mercado interno. Ultimamente, o Brasil tem até importado o produto dos Estados Unidos para encher os tanques dos carros movidos a álcool, cada vez mais numerosos por aqui.
A recuperação das exportações de etanol, após a crise de 2008/2009, tem sido bem mais lenta do que o setor portuário estimava. Esperava-se uma retomada imediata e firme. Mas ela não se concretizou, a ponto de os empreendedores reverem os planos de construir instalações vocacionadas para os granéis líquidos, setor no qual o produto vinha despontando como futuro lider de movimentação.
Um dos mais experientes engenheiros da área de granéis liquidos e produtos químicos no mundo, o gerente-geral da Stolthaven em Santos, Mike Sealy, acompanhou a recente transformação da balança comercial brasileira. A Stolt chegou a trabalhar com 60% de sua capacidade voltada para as exportações, apoiada no etanol. Hoje, este montante não passa dos 30%.
“Houve um crash mundial. O mercado se tornou conservador e os grandes volumes esperados de etanol não aconteceram. Por causa do crescimento do mercado interno brasileiro, pudemos ver que as importações brasileiras começaram a aumentar”, explicou Sealy.
Projetos
Apesar dos números desencorajadores, a fé em um reaquecimento das exportações nos próximos anos é o combustível dos investimentos. Tomando a Stolt como exemplo, pode-se ter uma ideia disso. Se hoje seu parque possui 89 tanques, este total chegará a 138 em 5 anos.
Se a atual capacidade estática é de 133 mil metros cúbicos, o plano é atingir 200 mil metros cúbicos até 2017. “Esperamos que, entre 2014 e 2017, o Brasil seja um grande competidor na questão do etanol e estamos nos preparando para isso”, destacou Mike Sealy. O aporte previsto, de R$ 190 milhões, será destinado ainda à ampliação das tubulações (que ligam os tanques aos navios) e à expansão do prédio administrativo.
A confiança pode motivar até mesmo investimentos de grande monta, como em um novo terminal. Considerando o valor de outorga normalmente pago por terminais marítimos no Porto de Santos, as ofertas facilmente passam dos R$100 milhões, pode-se ter uma noção do tamanho da confiança na produção brasileira de álcool-combustível. “Procuramos outras áreas no Brasil para investir. Sabemos da necessidade do País. Se ele continuar com crescimento sustentável de 5% ao ano…” – o final da frase, ele deixou no ar.
Críticas
Os projetos crescem, mas, em alguns aspectos, vêm acompanhados de críticas. No caso de Santos, as reclamações inevitavelmente desaguam no sistema viário. A região da Alemoa (onde fica o terminal da Stolthaven), na entrada do complexo, é estrangulada diariamente pelo excesso de caminhões. Em seus acessos e vias internas, a velocidade média é baixíssima, ao contrário da paciência necessária para percorrer a área.
“O Governo não trabalha na velocidade de que necessitamos, principalmente no acesso ao porto, na fluidez do trânsito. Em 2011, houve período em que ficou tudo parado”, pontuou Sealy.
Uma das promessas lembradas pelo gerente da Stolt foi a do prefeito de Santos, João Paulo Papa. Ele disse que até o final de seu governo, “entregaria a Alemoa terminada”. Isso inclúi, na visão de Sealy, a conclusão do sistema de drenagem, a infraestrutura para caminhoneiros e os acessos ao bairro. Faltam 11 meses para o final do mandato. Ainda dá tempo.
